18 abril 2012

MODO DE ORAR - Evangelho de: 17.04.2012

I – Modo de Orar

V. MONOD
Bordeaux, 1862
22 – O primeiro dever de toda criatura humana, o primeiro acto que deve assinalar o seu retorno à atividade diária, é a prece. Vós orais, quase todos, mas quão poucos sabem realmente orar! Que importam ao Senhor as frases que ligais maquinalmente uma às outras, porque já vos habituastes a repeti-las, porque é um dever que tendes de cumprir, e que vos pesa, como todo o dever?

A prece do cristão, do Espírita, principalmente,de qualquer culto que seja (1) , deve ser feita no momento em que o Espírito retoma o jugo da carne, e deve elevar-se com humildade aos pés da Majestade Divina,mas também com profundeza, num impulso de reconhecimento por todos os benefícios recebidos até esse dia. E de agradecimento, ainda, pela noite transcorrida, durante a qual lhe foi permitido, embora não guarde a lembrança, retornar junto aos amigos e aos guias, para nesse contato aurir novas forças e mais perseverança. Deve elevar-se humilde aos pés do Senhor, pedindo pela sua fraqueza, suplicando o seu amparo, a sua indulgência, a sua misericórdia. E deve ser profunda, porque é a vossa alma que deve elevar-se ao Criador, que deve transfigurar-se, como Jesus no Tabor, para chegar até Ele, branca e radiante de esperança e de amor.

Vossa prece deve encerrar o pedido das graças de que necessitais, mas de que necessitais realmente. Inútil, portanto, pedir ao Senhor que abrevie a vossa provas, ou que vos dê alegrias e riquezas. Pedi-lhe antes os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé. Evitai dizer, como o fazem muitos dentre vós: “Não vale a pena orar, porque Deus não me atende”. O que pedis a Deus, na maioria das vezes? Já vos lembrastes de pedir-lhe a vossa melhoria moral? Oh, não, tão poucas vezes! O que mais vos lembrais de pedir é o sucesso para os vossos empreendimentos terrenos, e depois exclamais: “Deus não se preocupa connosco; se o fizesse, não haveria tantas injustiças!” Insensatos, ingratos! Se mergulhásseis no fundo da vossa consciência, quase sempre ali encontraríeis o motivo dos males de que vos queixais. Pedi, pois, antes de tudo, para vos tornardes melhores, e vereis que torrentes de graças e consolações se derramarão sobre vós! (Ver cap. V, nº 4).

Deveis orar incessantemente, sem para isso procurarem o vosso oratório ou cairem de joelhos nas praças públicas. A prece diária é o próprio cumprimento dos vossos deveres, mas dos vossos deveres sem excepção, de qualquer natureza que sejam. Não é um ato de amor para com o Senhor assistirdes os vossos irmãos numa necessidade qualquer, moral ou física? Não é um ato de reconhecimento a elevação do vosso pensamento a Ele, quando uma felicidade vos chega, quando evitais um acidente, ou mesmo quando uma simples contrariedade vos aflora à alma, e dizeis mentalmente: “Seja bendito, meu Pai!”? Não é um ato de contribuição, quando sentis que falistes, dizerdes humilde para o Supremo Juiz, mesmo que seja num rápido pensamento: “Perdoai-me, Deus meu, pois que pequei (por orgulho, por egoísmo ou por falta de caridade); dai-me a força de não tornar a falir, e a coragem de reparar a minha falta”?

Isto independe das preces regulares da manhã e da noite, e dos dias consagrados, pois, como vedes a prece pode ser de todos os instantes, sem interromper os vosso afazeres; e até, pelo contrário, assim feita, ela os santifica. E não duvideis de que um só desses pensamentos, partindo do coração, é mais ouvido por vosso Pai celestial do que as longas preces repetidas por hábitos, quase sempre sem um motivo imediato, apenas porque a hora convencional maquinal-mente vos chama.

 Evangelho Segundo o Espiritismo





O proveito comum
Jesus no Lar
Dentro da noite muito clara, os companheiros reunidos em casa de Pedro comentavam as dificuldades na divulgação das ideias redentoras.
Muita gente se valia do socorro de Jesus, buscando vantagens próprias.
Certo negociante provocava o ajuntamento popular em determinada região da praia, a fim de estimular a venda de vinhos; carroceiros vulgares intensificavam a propaganda do Reino Celeste, nas cercanias, não com o objetivo de se tornarem melhores, mas para alugarem veículos diversos a doentes de longe, interessados na assistência do Mestre.
O parecer de quase todos os apóstolos era inquietante e desalentador.
Foi quando o Divino Amigo, tomando a palavra, explanou:
— Certo filósofo, mergulhado nos estudos da Revelação Divina, possuía um discípulo que nunca se conformava com a incompreensão do povo quanto às verdades celestes. Inflamava-se, de minuto a minuto, contra os maus, os ingratos ou os hipócritas, que abusavam dos elevados ensinamentos de que se via portador. O mestre ouvia o e guardava silêncio, até que numa linda manhã, vindo um aguaceiro rápido de estio, convidou o para um breve passeio até o campo próximo, depois de refeita a paisagem. Não haviam andado meia milha, quando avistaram vasta faixa de pântano; e o orientador, observando que o charco recebia a água da chuva, explicou:
 
“— Eis que o lodaçal recolhe o líquido celeste e com ele faz imundo caldo, mas existem batráquios que se beneficiarão com segurança e eficiência, porquanto, se não chovesse, provavelmente estas águas escuras se transformariam em veneno mortal.
 
“Depois de alguns passos, encontraram poças de enxurrada nos recôncavos de terra dura, e o mentor, analisandoas, acrescentou:
 
“— Aqui, a fonte jorrada do firmamento é agora lama desagradável; entretanto, que seria deste chão estéril se a água divina o não visitasse? Amanhã, talvez veremos neste solo perfumada floração de lírios rústicos.
 
“Marcharam adiante e detiveram-se na contemplação de algumas árvores nuas. A água, nos galhos ressequidos, parecia cinzenta e fétida, mas o instrutor   esclareceu:
 
“— Nestas árvores abandonadas, a bênção da chuva cristalina se fez pesada e sombria; no entanto, que lhes aconteceria se as dádivas do Alto as não beneficiassem?
Possivelmente, morreriam, em breve, até às raízes. Em poucas semanas, porém, cobrirseão de ramagens fartas
servindo aos lares abençoados dos   passarinhos.
 
“Demandaram além e descobriram alguns pessegueiros, cujas flores  guardavam as gotas do céu, com tanta beleza, que mais se assemelhavam, dentro delas, a diamantino orvalho, levemente irisado pela claridade solar. O mestre,
indicando-as, disse:
“— Aqui, as pétalas puras conservaram o dom celeste com absoluta fidelidade e, muito em breve, serão perfume e beleza em excelentes frutos para o banquete da vida.
 “Logo após, espraiando o olhar pela paisagem enorme, falou ao discípulo  espantado:
“— Jamais censures o manancial do socorro celeste. Cada homem lhe recebe o valor no plano em que se encontra. Guardando-lhe os princípios sublimes, o criminoso se faz menos cruel, o pior se mostra menos mau, o imperfeito melhora, o infortunado encontra alívio e os bons se engrandecem para maior amplitude no serviço ao Nosso Pai. 

Se possuis raciocínio suficiente para discernir a realidade, não te percas em reprovações vazias. Aprende com o Supremo Senhor que ajuda sempre, de acordo com a posição e a necessidade de cada um, e distribui com todos os que te cercam os bens do Céu que já podes reter com fidelidade e o Céu te abrirá o acesso a tesouros sem fim...”
Terminada que foi a narrativa, Jesus calou-se.
Os apóstolos, como se houvessem recebido sublime lição em tão poucas palavras, entre-olharam-se, expressivamente, silenciosos e felizes.
O Senhor, então, abençoou-os e retirou-se para as margens do lago, fitando, pensativo, as constelações que treme-luziam distantes...

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